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BOLETIM MENSAL · 12 DE OUTUBRO DE 2026 · ATUALIZADO EM 26 DE OUTUBRO

Duas semanas de regulamentação

O que mudou entre a revisão de 28 de setembro e 12 de outubro, o que isso significa para as classificações do registro, o que mudou depois de 12 de outubro, o que vem a seguir e o que estamos acompanhando, mas ainda não verificamos.


O que mudou

Com a Lei CLARITY paralisada, as agências dos EUA escreveram as regras por conta própria, e a ficha dos Estados Unidos do registro agora traz quatro novos prazos de consulta pública. As propostas do Federal Reserve com base na Lei GENIUS para emissores de stablecoins ligados a bancos foram publicadas em 29 de setembro, com prazo para comentários até 30 de novembro, e o Departamento do Tesouro veio em seguida, em 30 de setembro, com uma norma final provisória, de vigência imediata, que define como o Comitê de Revisão de Certificações de Stablecoins analisará as certificações dos reguladores estaduais. Em 1º de outubro, a SEC propôs regras de custódia de criptoativos para consultores de investimentos e fundos, admitindo trust companies estaduais como custodiantes e permitindo a custódia própria pelos consultores sob condições; o prazo para comentários termina em 7 de dezembro. Em 5 de outubro, a CFTC emitiu o aviso prévio de proposta de regulamentação que havia enviado à Casa Branca três semanas antes, a Regulation CTX, para transações de criptoativos no varejo, e a Regulation CAM, para uma categoria de bolsa voltada a mercados de criptoativos (regulação de transações e de mercados de criptoativos), com prazo para comentários até 14 de dezembro, e o FinCEN retirou a proposta de 2020 sobre o reporte de carteiras não custodiadas e a designação de misturadores de 2023. A comissária Peirce deixou a SEC em 2 de outubro; a Comissão tem dois membros, e a força-tarefa de criptoativos (Crypto Task Force) não tem chefe nomeado.

Três itens estaduais ficam ao lado dos federais. Nova York e Wyoming assinaram em 1º de outubro um acordo de supervisão que permite a cada regulador apoiar-se nas análises de pedidos de licença e nas inspeções do outro. O licenciamento de emissores de stablecoins da Flórida entrou em vigor no mesmo dia, nos termos do HB 175. Os três projetos de lei sobre ativos digitais da Califórnia foram convertidos em lei (chaptered), e o prazo do governador de 30 de setembro passou sem nada mais em sua mesa.

Fora dos EUA, a janela de pedidos de autorização do Reino Unido abriu em 30 de setembro, com pedidos até 28 de fevereiro de 2027 e início do regime em 25 de outubro de 2027. A ESMA respondeu à revisão do MiCA no mesmo dia e, em 8 de outubro, determinou que os CASPs autorizados deixem de prestar serviços para stablecoins que não cumpram o MiCA, com três meses para eliminar as exposições legadas. As regras dos registros da Rússia entraram em vigor em 5 de outubro, e o Banco da Rússia inscreveu seus primeiros cinco depositários e quatro operadores de câmbio no dia seguinte. A Tailândia finalizou regras para ETFs domésticos de bitcoin e ether, com vigência a partir de 16 de outubro. Hong Kong se comprometeu a apresentar ainda em 2026 um projeto de lei de licenciamento para intermediação, custódia e consultoria, a FSA do Japão abriu seu fórum de finanças on-chain e aprovou um piloto de liquidação de operações comerciais com stablecoins, o FMI concluiu as revisões de El Salvador e pediu alterações à Lei de Emissão de Ativos Digitais, a VARA definiu um escopo mínimo para as auditorias de reservas, o ADGM abriu uma consulta sobre DeFi, e a posição de não atuação (no-action) da Austrália expirou.

O que mudou nas classificações

Nenhuma classificação mudou. A Rússia permanece em transição até que passe o prazo de licenciamento de julho de 2027, o Reino Unido permanece em transição até outubro de 2027, e os Estados Unidos permanecem como parcial porque a metade de estrutura de mercado de seu marco ainda é proposta e orientação, e não lei. O índice Leis A–Z cresceu para 113 instrumentos com as regras de ETFs da Tailândia, e quatorze fichas existentes receberam texto novo.

Desde 12 de outubro

O maior passo da semana veio da EBA, que em 14 de outubro classificou o USDC como o primeiro token de moeda eletrônica significativo sob o MiCA e assume, a partir de 12 de novembro, a supervisão de suas reservas, seus fundos próprios, sua liquidez e seus planos de recuperação e de resgate. Em 9 de outubro, três dias antes de nossa última revisão, os governos da UE concordaram que apenas os maiores CASPs transfronteiriços devem passar à supervisão da ESMA, restringindo a proposta da Comissão de transferir todos eles, e, em 16 de outubro, os líderes da UE pediram um acordo sobre o pacote de integração e supervisão dos mercados até o fim do ano. Em 15 de outubro, a ASIC abriu consulta sobre os padrões do regime de plataformas da Austrália, e o Tesouro australiano divulgou sua minuta de lei sobre reporte fiscal de criptoativos. A CNV da Argentina reescreveu suas regras para prestadores, a Coreia do Sul teve 27 sites de operadores não registrados bloqueados e alertou sobre futuros perpétuos offshore, a FSC de Taiwan disse que sua lei de licenciamento deverá entrar em vigor no primeiro trimestre de 2027, e os registros da Rússia chegaram a oito depositários e treze operadores de câmbio, com a Bolsa de Moscou planejando a negociação de criptoativos a partir de 1º de dezembro. Nos Estados Unidos, o prazo para comentários sobre as definições da Lei GENIUS do Departamento do Tesouro era 19 de outubro, sem prorrogação, o Procurador-Geral da Califórnia fechou acordo com a Fidelity Digital Asset Services sobre limites de saque adotados no passado, e a Lei CLARITY não avançou.

A recusa da BaFin ao pedido de autorização sob o MiCA do futurum bank, operador da bitcoin.de, o indeferimento de um pedido de autorização de prestadora pelo Banco Central do Brasil e a minuta de regras de Illinois para seu imposto sobre ativos digitais, que o estado, desde então, concordou em suspender até 1º de julho de 2027, estavam na lista de observação de 12 de outubro e agora estão no registro, com fontes. O mesmo vale para as decisões do OCC de 18 de setembro sobre licenças de banco fiduciário (trust charters) para a Bastion, a Catena e a Agora, que havíamos retido à espera de confirmação. A revisão também encontrou quatro itens que o registro havia deixado de incluir: a ordem executiva de 17 de julho da Nigéria, que divide a supervisão dos ativos virtuais entre o banco central e a SEC; o porto seguro (safe harbor) do IRS para staking por trusts de investimento, de 6 de outubro; as sanções contra a rede A7, de 1º de outubro, e a proposta relacionada do FinCEN, de 5 de outubro; e um acordo com 34 estados pelo qual a Coinme concordou em encerrar seu negócio de quiosques de criptoativos.

O Brasil revogou a Resolução BCB nº 588 em 30 de setembro, antes de nossa última revisão, e reeditou sua regra de comunicação ao Coaf como Resolução BCB nº 591, que adia para janeiro de 2027 as comunicações sobre transferências para autocustódia do quarto trimestre; a ficha do Brasil e o calendário agora refletem a mudança. A Lei do Marco de Ativos Digitais da Austrália entra em vigor em 8 de abril de 2027. Este registro havia informado 9 de abril; o documento de consulta da ASIC traz a data correta, e a ficha da Austrália, o calendário e o boletim de setembro foram corrigidos. Nenhuma classificação mudou, e o índice Leis A–Z cresceu para 115 instrumentos com a ordem executiva da Nigéria e o imposto sobre ativos digitais de Illinois.

Desde 19 de outubro

Nos Estados Unidos, o OCC adotou em 21 de outubro a primeira norma final que estabelece requisitos da Lei GENIUS para emissores de stablecoins, com vigência a partir de 18 de janeiro de 2027, data em que a Lei entra em vigor. A norma abandonou a presunção contra arranjos de rendimento com terceiros que a proposta pendente do Federal Reserve ainda mantém, confirmou que a proibição de rendimento não alcança depósitos e fixou requisitos de liquidez diária, de contraparte, de resgate e de capital para os emissores supervisionados pelo OCC. A Flórida propôs em 20 de outubro suas próprias regras para emissores, com pisos semelhantes de capital e liquidez. Os comentários sobre a Regulation Crypto Assets se encerraram em 20 de outubro, sem prorrogação. O Canadá publicou em 24 de outubro uma minuta de regulamento de stablecoins, com início previsto para o outono canadense de 2027.

Na Europa, a FINMA anunciou em 20 de outubro que havia aprovado o primeiro ETF de bitcoin da Suíça, a FCA abriu consulta sobre orientações de perímetro e de DeFi para o regime do Reino Unido, as autoridades francesas pediram uma proibição explícita de serviços na UE para stablecoins fora do MiCA, e o Banco Central da Irlanda multou a Coinbase Ireland por falhas de salvaguarda de moeda eletrônica. O registro de operadores de câmbio de criptomoedas da Rússia chegou a dezoito inscrições. Na Ásia, o Banco da Tailândia propôs o licenciamento de emissores de stablecoins em baht e de carteiras, Taiwan editou uma alteração relativa à regra de viagem (travel rule), a SFC de Hong Kong aprovou a primeira negociação secundária de fundos tokenizados em uma plataforma cripto licenciada, o HSBC lançou sua stablecoin licenciada em dólar de Hong Kong, e o Ministério das Finanças da Coreia do Sul avaliou o grau de preparação para o imposto cripto de janeiro, enquanto um projeto de lei de adiamento chegava à comissão.

Dois itens que havíamos retido à espera de confirmação agora estão no registro: a ação dos bancos comunitários contra as licenças de banco fiduciário (trust charters) do OCC, ajuizada em 2 de outubro, e o Decreto 284/2026/ND-CP do Vietnã sobre multas relativas a criptoativos, em vigor desde 1º de setembro. A revisão também encontrou uma petição conjunta de 13 de outubro na qual Illinois concordou com a concessão de uma ordem judicial (injunction) que suspenda seu imposto sobre ativos digitais até 1º de julho de 2027, enquanto o tribunal decide sobre as duas contestações ao imposto. Nenhuma classificação mudou, e o índice Leis A–Z cresceu para 118 instrumentos com a norma do OCC, a minuta de regulamento do Canadá e o decreto do Vietnã.

Esta atualização corrige três afirmações anteriores. A alteração da regra de quórum da SEC, com vigência a partir de 2 de outubro, permite que um único comissário atue em uma matéria quando todos os demais estiverem impedidos; o registro a havia descrito como uma autorização para que os membros em exercício formassem quórum quando menos de três estivessem em exercício, o que a regra já permitia. A revisão do OCC de 14 de outubro constatou políticas de desbancarização (debanking) em todos os nove maiores bancos de licença federal (national banks) e restrições setoriais que alcançaram atividades com ativos digitais; o registro havia informado que todos os nove restringiam serviços a esses setores. A restrição dos investidores russos não qualificados a bitcoin, ether e USDT vem de uma minuta do Banco da Rússia; a Bolsa de Moscou anunciou apenas sua data de início, 1º de dezembro.

O que vem a seguir

Os prazos para comentários terminam em 28 de outubro para a minuta australiana de reporte fiscal de criptoativos e em 30 de outubro para as regras do imposto sobre ativos digitais de Illinois. O prazo para as prestadoras já existentes no Brasil apresentarem o pedido de autorização também é 30 de outubro, e, a partir de 6 de novembro, as instituições autorizadas no país não poderão mais operar com prestadoras não autorizadas. A semana da plenária do FATF vai de 26 a 30 de outubro. O reporte mensal dos prestadores na Argentina começa em 1º de novembro. O prazo de licenciamento do Quênia para os prestadores existentes e o prazo para comentários sobre a proposta do FinCEN relativa à A7 vencem em 4 de novembro. O Senado retoma os trabalhos em 9 de novembro sem votação da Lei CLARITY em sua programação anunciada. O prazo para solicitar uma audiência sobre as regras de stablecoins da Flórida termina em 10 de novembro, a EBA assume a supervisão do USDC em 12 de novembro, a consulta da Tailândia sobre stablecoins em baht se encerra em 17 de novembro, e o prazo para comentários sobre as orientações de perímetro e de DeFi da FCA termina em 18 de novembro. A consulta da ASIC se encerra em 27 de novembro, e, em 30 de novembro, vencem os prazos para comentários do Fed, do Departamento do Tesouro e do ADGM e se encerra a consulta da MAS sobre resolução de disputas. A votação da comissão de assuntos econômicos do Parlamento Europeu sobre o pacote de supervisão da UE está prevista para 1º de dezembro, segundo painéis de acompanhamento de escritórios de advocacia. Os prazos para comentários terminam em 7 de dezembro para a proposta de custódia da SEC, em 14 de dezembro para o aviso prévio da CFTC e em 23 de dezembro para a minuta de regulamento de stablecoins do Canadá. O Comitê de Basileia afirmou que apresentará, ainda este ano, uma atualização sobre sua revisão do padrão sobre criptoativos para bancos, e a Lei GENIUS e a norma final do OCC para emissores entram em vigor em 18 de janeiro de 2027. A linha do tempo completa está no calendário de prazos.

Na lista de observação, ainda fora do registro

Três itens foram noticiados, mas ainda não podem ser citados com base em uma fonte primária. O governador do Serviço de Supervisão Financeira da Coreia do Sul disse aos parlamentares, na auditoria parlamentar de outubro, que a supervisão combinada dos ativos digitais está prevista na Lei Básica de Ativos Digitais do governo, que ainda não foi publicada nem apresentada. Foi noticiado que o gabinete presidencial avalia um novo adiamento do imposto sobre ganhos com criptoativos. O conteúdo da minuta de texto de compromisso da comissão do Parlamento Europeu sobre a supervisão cripto, que permitiria aos CASPs menores optar pela supervisão da ESMA, só é conhecido por meio de notícias da imprensa e de relatórios de escritórios de advocacia, antes da votação prevista para 1º de dezembro. Cada um deles passa para o registro quando um documento primário puder ser vinculado.